Meu Louco Mundo
CAPÍTULO 1: ESSA SOU EU...
Barcelona, cinco de fevereiro de 2011. A casa estava uma bagunça, malas jogadas em cima do sofá, roupas espalhadas pelo corredor, meu irmão de 17 anos chorando como um bebê de colo, que deixa a chupeta cair no chão. Meus pais procuravam por todos os cantos as passagens que haviam sumido. Bem e eu como sempre, estava filosofando sobre a minha simples e chata vidinha.
Eu sou uma garota de 15 anos, super tímida e uma nerd assumida, uso aparelho e óculos, minha cor preferida é roxo, adoro a Avril Lavigne, e curto rock. No momento meu coração está vazio, e eu acho que não vai ser preenchido tão cedo. Adoro mangá e adoro qualquer tipo de All Star, principalmente botinhas. Amigas... Só tenho uma que não é uma amiga verdadeira.
Na escola me sinto como um peixe fora d’água sou a garota mais quieta da sala, mas não sou a mais inteligente... Meu nome é simples e comum aqui na Espanha... Marianella, mas prefiro que me chamem de Anella, é uns dos nomes dos quais eu gosto.
Meus passatempos são: compor musicas, tocar violão e guitarra, escutar musicas, navegar na web, desenhar e andar de bicicleta. Fisicamente sou loira tenho olhos azuis escuros, sou alta e magra. Minha família... Prefiro não comentar.
CAPÍTULO 2: VOO 145
Infelizmente meus pais encontraram as passagens, e agora estamos indo para o aeroporto e daqui alguns minutos, estarei deixando minha querida Barcelona, para me mudar para um país que ainda nem sei qual é. Meu pai foi promovido há um mês, e agora será o gerente de uma das filiais da Ford nesse país. A única coisa que eu sei dessa viagem, é que o vôo é o 145 da Spanair.
02h45min PM, chegamos ao aeroporto que estava lotado, pessoas chegavam e iam, tudo parecia um grande formigueiro. Nada de curioso nada de interessante. Enquanto meu pai resolvia os últimos detalhes da viagem, minha mãe rezava como uma pessoa que vai para a forca e pede perdão a deus pelos pecados... Meu irmão mais velho reclamava de tudo, meu irmão mais novo, não sabia nem por onde estava ventando... E finalmente eu, filosofava...
As 03h24min entramos no avião e acabei descobrindo para qual país estava indo... Quem diria que um dia eu Marianella Navarro de Agnelli Velásquez, iria morar no Brasil... Bem o destino, prega pesas, e se esse é o meu destino que assim seja... Let’s Go Brasil!
CAPÍTULO 3: OLÁ BRASIL
Era umas 07h19min da noite quando chegamos ao nosso destino, Rio De Janeiro. O vôo foi tranqüilo, apesar das aeromoças ficarem com aquele sorriso falso, perguntando toda hora se queríamos alguma coisa.
No aeroporto havia poucas pessoas, pegamos nossas malas, e fomos procurar um taxi para nos levar para nossa nova casa.
O Rio De Janeiro não é tão bonito como dizem as pessoas, pelo menos à noite... Foi o que eu achei...
Depois de 01h35min chegamos a nossa nova residência, uma casa velha e acabada que aparentava mais de 50 anos. Meu pai nunca levou jeito para comprar nada... Fazer o quê? Ele já comprou...
Jogamos uns colchões que meu pai havia comprado no chão e para dormimos aquela noite. De manhã meu pai foi trabalhar, minha mãe foi comprar moveis novos, e nos matricular em alguma escola. Eu tive preparar o café da manhã e infelizmente ter que ficar ouvindo meu irmão mais velho reclamar. Sem TV para assistir e sem computador, eu fui para uns dos quartos que tinha vista para o jardim e me sentei na janela, e fiquei olhando para o sol, que tímido aparecia no horizonte.
Às 10 horas minha mãe voltou e com uma boa e péssima notícia. A boa ela havia comprado os moveis e os eletrodomésticos, e eles chegavam hoje. A péssima notícia ela havia nos matriculado em uma escola particular e as aulas começavam amanhã.
Agora eu estou... Pensando como eu que só sei falar espanhol vou para uma escola onde só se fala português?
CAPÍTULO 4: MINHA FAMÍLIA
Bom eu acho que esta na hora de apresentar minha família, então vamos lá... Meu pai se chama Juan De Agnelli Velásquez, tem 38 anos e trabalha como gerente da Ford. Ele tem olhos azuis como os meus e cabelos castanhos e é alto. Minha mãe se chama Jazmín Navarro Velásquez, tem 36 anos e trabalha como técnica administrativa. Ela tem olhos verdes claros, tem cabelos longos e loiros, e é alta. Meu irmão mais velho se chama Santiago Navarro de Agnelli Velásquez tem 17 anos, tem cabelos loiros e olhos verdes como os da minha mãe e têm 1,79 de altura. Ele se acha o centro do mundo, em outras palavras é um chato. Meu irmão mais novo se chama Díego De Agnelli Velásquez, ele tem 11 anos e é uma mala sem alça, ele tem cabelos castanhos e olhos azuis como os meus. Bem essa é a minha família.
CAPÍTULO 5: ESCOLA?!
Bom minha mãe, havia matriculado eu e meus irmãos na escola, e nós não poderíamos deixar de ir. As 06h35min AM já estávamos prontos, para apanhar o ônibus, mas graças a Deus o telefone tocou, era a diretora do colégio que disse a minha mãe que se eu e meus irmãos não quiséssemos ir a escola não teria problema.
O Santiago como sempre enxerido disse que iríamos, como se ele fosse meu porta voz. Eu me recusei a ir e minha mãe me deixou ficar mais um dia em casa, pois ela “sabia” do meu problema de timidez.
Minha mãe achava que me conhecia melhor do que a ela própria, mas não conhecia tem muitas coisas sobre mim que ela não sabe e nunca vai saber...
CAPÍTULO 6: QUEM EU SOU...
Quem eu sou? Eu sempre me fazia essa pergunta, e nunca achava a resposta até o dia em que meu avô me contou uma história, e eu me lembro bem desse dia...
Era uma sexta-feira, eu tinha 10 anos, e estava meio chateada com minha vida, então me sentei nos degraus da escada e fiquei olhando para meus familiares...
Meu avô sempre tão certo sobre a vida começou a me contar a história de uma menininha que ele conheceu há uns sete anos atrás...
“Descalça e suja, a pequena garota ficava sentada no parque olhando as
pessoas passarem. Ela nunca tentava falar, não dizia uma única palavra.
Muitas pessoas passavam por ela, mas nenhuma sequer lhe lançava um
simples olhar, ninguém parava, inclusive eu. No outro dia eu decidi voltar ao
parque curiosa para ver se a pequena garota ainda estaria lá.
Exatamente no mesmo lugar onde ela estava sentada no dia
anterior, ela estava empoleirada no alto do banco com o olhar mais triste do
mundo. Mas hoje eu não pude simplesmente passar ao largo,
preocupada somente com meus afazeres.
Ao contrário, eu me vi caminhando ao encontro dela.
Pelo que todos nós sabemos,
um parque cheio de pessoas estranhas não é um
lugar adequado para crianças brincarem sozinhas.
Quando eu comecei a me aproximar dela eu pude ver que as costas
do seu vestido indicavam uma deformidade.
Eu conclui que esta era a razão pela qual as pessoas
simplesmente passavam e não faziam esforço algum
em se importar com ela. Quando cheguei mais perto da garotinha
lentamente baixou os olhos para evitar meu intenso olhar.
Eu pude ver o contorno de suas costas mais claramente.
Ela era grotescamente corcunda.
Eu sorri para lhe mostrar que eu estava bem e que estava lá para ajudar e
conversar. Eu me sentei ao lado dela e iniciei com um "olá".
A garota reagiu chocada e balbuciou um "oi”
após fixar intensamente meus olhos.
Eu sorri e ela timidamente sorriu de volta.
Conversamos até o anoitecer e quando o parque já estava completamente
vazio. Todos tinham ido e estávamos sós.
Eu perguntei por que a garotinha estava tão triste.
Ela olhou para mim e me disse: "Porque eu sou diferente".
Eu imediatamente disse sorrindo: "Sim você é". A garotinha ficou ainda
mais triste dizendo: "Eu sei". Eu disse:
“você me lembra um anjo, doce e inocente".
Ela olhou para mim e sorriu lentamente, levantou-se e disse "De verdade?”“.
“Sim querida, você e um pequeno anjo da guarda mandado para olhar todas
estas pessoas que passam por aqui. Ela acenou com a cabeça e
disse sorrindo "sim", e com isto abriu suas asas e piscando os olhos
falou: "eu sou seu anjo da guarda".
Eu fiquei sem palavras e certa de que estava tendo visões.
Ela finalizou: "quando você deixou de pensar unicamente em você,
meu trabalho aqui foi realizado".
Imediatamente eu me levantei e disse: "Espere, porque então
ninguém mais parou para ajudar um anjo?”Ela olhou para mim e sorriu:
“ Você foi a única pessoa capaz de me ver" e desapareceu.
Com isto minha vida foi mudada drasticamente.
Quando você pensar que esta completamente só, lembre-se: seu anjo esta
sempre tomando conta de você. O meu estava...
todos precisamos de alguém.
Bem foi essa a história...
CAPÍTULO 7: UM BELO DIA PARA TODOS?
Mais tarde meus irmãos voltaram da escola, falando que ela era ótima. Pelo ponto de vista do Santiago as meninas do colégio deviam ser lindas e idiotas como ele. Já pelo ponto de vista do Díego, os professores deviam ser uns tapados e devem deixar os alunos fazerem a maior zona.
Eu ainda não fui para a escola então é melhor não tirar conclusões precipitadas sobre ela. Meu pai voltou do trabalho e disse que tinha se arrependido de ter aceitado o cargo, alegando que era muito estressante e que os outros empregados não obedeciam às ordens dele.
Minha mãe ainda não tinha arrumado um emprego então ficou o dia inteiro vendo novela, que mau exemplo. Eu fiquei a tarde inteira no PC, criei um novo email, baixe musicas e jogos, fiz um MSN, um Orkut, um face book, e comecei a seguir de novo o twiter da Avril Lavigne. Em outras palavras mofei no computador...
O jantar foi entediante, tive que ouvir ao mesmo tempo quatro pessoas falando, minha comentando sobre as novelas que tinha assistido o Santiago falando mil maravilhas do colégio, o Díego, falando de uma professora dele uma tal de Gessiane, e por fim meu pai reclamando do emprego.
Não agüentei por muito tempo aquele falatório, então peguei meu prato e fui jantar no meu quarto. Odeio pessoas que não param de falar nem um minuto, e também odeio brigas...